TEORIAS E PRÁTICAS DE APRENDIZAGEM ATIVA
Autor: Antonio Veras Nunes - Yasmim Aparecida Sobrinho Nunes
RESUMO
Metodologias ativas são estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do processo de aprendizagem, de forma flexível, interligada e híbrida. As metodologias ativas, num mundo conectado e digital, expressam-se por meio de modelos de ensino híbridos, com muitas possíveis combinações. A junção de metodologias ativas com modelos flexíveis e híbridos traz contribuições importantes para o desenho de soluções atuais para os aprendizes de hoje. A tecnologia se apresenta como uma ferramenta facilitadora que enriquece o currículo e promove a interatividade entre ambos. As metodologias ativas colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem, desenvolvendo habilidades críticas e criativas. Percebemos que propostas inovadoras em contextos educativos vêm se fortalecendo progressivamente, além disso, estão presentes nos avanços cada vez mais efetivos das tecnologias digitais. O presente trabalho buscou realizar, através de uma abordagem qualitativa de revisão bibliográfica, através de uma abordagem qualitativa de revisão bibliográfica, e os principais conceitos e instrumentos ofertados pelas metodologias ativas de ensino. Em seguida, introduz-se o método Instrução entre Pares, de modo a detalhar seus objetivos, finalidades e procedimentos.
Palavras-chave: Metodologia ativas. Inovadoras. Processo de Aprendizagem.
ABSTRACT
Active methodologies are teaching strategies focused on the effective participation of students in the construction of the learning process, in a flexible, interconnected and hybrid way. Active methodologies, in a connected and digital world, are expressed through hybrid teaching models, with many possible combinations. The combination of active methodologies with flexible and hybrid models makes important contributions to the design of current solutions for today's learners. Technology presents itself as a facilitating tool that enriches the curriculum and promotes interactivity between both. Active methodologies place the student at the center of the learning process, developing critical and creative skills. We realize that innovative proposals in educational contexts have been progressively strengthening, in addition, they are present in the increasingly effective advances in digital technologies. The present work sought to carry out, through a qualitative approach to bibliographic review, the main concepts and instruments offered by active teaching methodologies. Next, the Peer Instruction method is introduced, in order to detail its objectives, purposes and procedures.
Keywords: Active methodology. Innovative. Learning process.
1 Introdução
A educação contemporânea tem enfrentado desafios significativos à medida que busca adaptar-se às demandas de uma sociedade em constante transformação. Nesse contexto, as metodologias de ensino desempenham um papel crucial, influenciando diretamente a qualidade e a eficácia do processo educacional. Entre as abordagens emergentes, as Metodologias Ativas têm se destacado como uma resposta inovadora e adaptativa aos novos paradigmas de aprendizagem.
O cerne das Metodologias Ativas reside na transição do modelo de ensino centrado no professor para um modelo centrado no aluno, onde o discente assume um papel ativo e participativo em seu próprio processo de aprendizagem. A aprendizagem entre pares (ou times), também conhecida como peer instruction ou team based learning, é uma metodologia ativa que incentiva o debate e a reflexão em conjunto. Para isso, a turma de alunos é dividida entre pares ou grupos com o objetivo de gerar a troca de ideias sobre o conteúdo estudado.
O objetivo do trabalho é otimizar o processo de aprendizagem do estudante, adotamos diferentes práticas que enriquecem a interação do professor com seu aluno. Os conteúdos podem ser cumpridos a partir de diferentes estratégias e uma delas é a instrução entre pares. Ressaltamos que para entender esse processo, reconhecemos como problemática, a metodologia ativa de ensino Instrução entre Pares traz resultados eficazes nos processos de ensino e de aprendizagem?
A justificativa é de que, as novas gerações não se adaptam mais aos métodos tradicionais de ensino, onde o professor era o centro das atenções e a aprendizagem era entendida como um processo passivo por parte dos alunos. Cada vez mais os professores precisam adotar novas metodologias para apreender a atenção de seus estudantes. É neste contexto que emergem as metodologias ativas de aprendizagem. Dentre elas, destaca-se nesse artigo a metodologia de ensino da Instrução entre Pares, que tem apresentado resultados positivos nos processos de ensino e de aprendizagem, bem como no maior interesse dos alunos pelo conhecimento a partir da troca de informações e saberes em sala de aula.
O presente trabalho buscou realizar, através de uma abordagem qualitativa de revisão bibliográfica, e os principais conceitos e instrumentos ofertados pelas metodologias ativas de ensino. Em seguida, introduz-se o método Instrução entre Pares, de modo a detalhar seus objetivos, finalidades e procedimentos.
2 Teorias e práticas de aprendizagem ativa
Metodologias ativas de ensino referem-se ao incentivo a realização de diferentes atividades no espaço educacional com o objetivo de desenvolver diferentes habilidades e capacidades dos alunos – especialmente aquelas relacionadas à comunicação, investigação e proatividade. Berbel (2011) afirma que metodologias ativas fazem uso de situações reais ou simuladas que visam à busca de soluções para questões fundamentais da vida em sociedade.
A aprendizagem é ativa e significativa quando avançamos em espiral, de níveis mais simples para mais complexos de conhecimento e competência em todas as dimensões da vida. Esses avanços realizam-se por diversas trilhas com movimentos, tempos e desenhos diferentes, que se integram como mosaicos dinâmicos, com diversas ênfases, cores e sínteses, frutos das interações pessoais, sociais e culturais em que estamos inseridos.
Hoje não são só apoio ao ensino, são eixos estruturantes de uma aprendizagem criativa, crítica, empreendedora, personalizada e compartilhada, sempre que haja profissionais da educação abertos e competentes (na educação formal), currículos abertos e metodologias ativas (PÉREZ GÓMEZ, 2015).
Mazur (1997) afirma que é mais fácil um aluno compreender a explicação de outro aluno. Muitos limites de linguagem e de distância de contato com o conteúdo, enfrentados na relação professor-aluno podem ser superados dessa forma. O aprendizado deixa de ser uma relação de uma única via e passa a constituir-se como um processo colaborativo.
A metodologia do “peer instruction” envolve/compromete/mantém atentos os alunos durante a aula por meio de atividades que exigem de cada um a aplicação os conceitos fundamentais que estão sendo apresentados, e, em seguida, a explicação desses conceitos aos seus colegas. Ao contrário da prática comum de fazer perguntas informais, durante uma aula tradicional, que normalmente envolve uns poucos alunos altamente motivados, a metodologia do “peer instruction” pressupõe questionamentos mais estruturados e que envolvem todos os alunos na aula. (MAZUR, 2007, p.5)
O método Instrução entre Pares representa um conjunto de procedimentos que tem início antes mesmo da aula. Portanto, sua execução e sucesso dependem da disposição por parte dos professores, mas também dos alunos. É um processo que não pode ser imposto por uma das partes, de modo que é fundamental a qualquer contexto de aplicação do método que o professor inicie sua disciplina conversando com os alunos sobre metodologias de ensino, sua nova proposta e objetivos.
O Peer Instruction é um método que pode ser utilizado em todas as turmas, independentemente do tamanho, e com todos os conteúdos. O que ocorre é planejamento e adaptação para que se tenha eficácia. De forma geral, o professor divide o tempo de aula entre palestras curtas e conceituais. As questões são de múltipla escolha acerca do assunto a ser discutido, chamados de conceitos (SCHMUCKER, HÄSELER, 2015).
Nos dias atuais a informação está a um clique de distância do estudante, o que cria características diferentes em relação aos jovens de épocas anteriores. Este novo cenário leva os estudantes a não desejarem mais saber somente como funciona, mas, a saber como fazer funcionar, isto é, interagir com a realidade (DE SOUZA; VERDINELLI, 2014). Sendo assim, pela grande quantidade de informações absorvidas diariamente pelos alunos é preciso pensar em formas para que o conhecimento seja realmente retido.
Com isso, é fundamental que a utilização dessas metodologias ativas em um ambiente de ensino seja principalmente pautada na liberdade e na autonomia do estudante, para que o mesmo use os seus julgamentos e ache possíveis soluções para o problema com a aplicação da teoria. (SOARES et al., 2017).
Dentre as metodologias ativas, podemos mencionar como uma alternativa passível de ser totalmente adaptadas às necessidades do ensino remoto as estratégias de ensino híbrido. De acordo com Valente (2014), com a disseminação das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) surgiram várias modalidades de ensino a distância, tais como ensino híbrido, que no contexto usual combina atividades presenciais e à distância.
O processo de aprendizagem e educação do ensino superior no Brasil foi moldado com o tempo. Hoje o professor tem o papel de orientar os discentes e mediar as discussões. Nesse contexto, com os avanços tecnológicos que surgiram nas últimas décadas, percebeu-se algumas transformações e/ou remodelações das maneiras de ensino e aprendizagem, pautadas na essência de transformar a partir da educação. Tais mudanças, foram primordiais para manutenção da qualidade de ensino e renovação das formas de promover educação, desse modo, destacam-se as aulas remotas e a Educação a Distância (EAD) como maneiras favoráveis para o processo de ensino e aprendizagem (VIEIRA; TEO, 2018).
Segundo Staker e Horn (2012) o ensino híbrido mescla momentos em que o aluno acessa conteúdos e instruções disponibilizados por meio de recursos online e outros em que o ensino ocorre dentro da sala de aula, envolvendo a participação de alunos e professores. Em virtude do isolamento social, os momentos de sala de aula podem ser realizados por meio de vídeo conferências, através de plataformas e servidores online, o que permite manter um momento de contato e interação entre docentes e discentes, mesmo que de forma não-presencial.
Percebe-se que a tecnologia tem sido cada vez mais acolhida pela população em geral, por meio da telefonia celular, laptop, Tablets, TV a cabo, computadores, entre outros recursos, para realizar procedimentos cotidianos. Os alunos, em função da resistência de alguns professores, ainda não têm encontrado nas instituições de educação superior procedimentos pedagógicos que utilizem esta tecnologia para realizar uma aprendizagem mais significativa e que os prepare para vida. A tecnologia hoje é uma realidade presente na sociedade e este é um fato que não pode mais passar despercebido pelos professores nos meios acadêmicos. (BEHRENS, 2015, p. 407)
O uso das tecnologias deve ser aliado ao processo de ensino e aprendizagem, não cabendo mais posturas tradicionais de resistência à EaD por parte de alguns docentes, uma vez que aquela faz parte das novas relações de interação e educacionais em que a sociedade está inserida. Nesse contexto, o uso das TDIC’s se apresenta por meio de propostas metodológicas inovadoras que alcançam uma maior quantidade de discentes e, especialmente nesse momento pandêmico, possibilita a continuidade das aulas, mantendo o calendário acadêmico de diversas IES.
Na perspectiva de Soares (2009), um fator que dificulta a adaptação, por parte dos docentes, às novas metodologias de ensino e aprendizagem se dá por não haver uma formação de professores universitários específica que contemple os saberes da docência, especificamente no que concerne à condução das aulas nas suas múltiplas possibilidades, o que inclui o modelo EaD.
A aprendizagem ativa é fundamental para o desenvolvimento do acadêmico, sendo assim, há uma urgência para a aplicação dessa técnica no modelo de ensino remoto e presencial. Os autores destacam que as dificuldades do ambiente virtual em relação a participação, avaliação, críticas e interação dos alunos são solucionadas pela aplicação do método, tornando assim a aula on-line mais dinâmica, pautada na interação ativa dos acadêmicos. Com isso, a introdução de metodologias ativas é extremamente importante para modificar as concepções negativas frente ao modelo de educação on-line, bem como adaptar as formas pela busca do conhecimento (RODRIGUES; LEMOS, 2019).
Por fim, destacamos que, na perspectiva de Moran (2017), as tecnologias permitem o registro e a identificação dos processos de ensino e aprendizagem por todos os envolvidos, possibilitando sistematizar progressos e dificuldades para que sejam tomados novos rumos para o ensino.
As vantagens são visíveis quando os alunos têm suas expectativas e necessidades respondidas de maneira positiva, conseguido assim manter a rotina de estudos, a interatividade com os materiais e com os professores, consequentemente, o desenvolvimento de uma prática que motiva a autoaprendizagem.
Assim, é essencial uma educação que ofereça condições de aprendizagem em contextos de incertezas, desenvolvimento de múltiplos letramentos, questionamento da informação, autonomia para resolução de problemas complexos, convivência com a diversidade, trabalho em grupo, participação ativa nas redes e compartilhamento de tarefas. Por isomorfismo, a formação do professor também deve se pautar pela atividade criadora, reflexiva, crítica, compartilhada e de convivência com as diferenças, usando as mídias e as tecnologias como linguagem e instrumento da cultura, estruturantes do pensamento, do currículo, das metodologias e das relações pedagógicas.
3 Considerações Finais
O papel do professor hoje é muito mais amplo e complexo. Não está centrado só em transmitir informações de uma área específica; ele é principalmente designer de roteiros personalizados e grupais de aprendizagem e orientador/mentor de projetos profissionais e de vida dos alunos.
A aprendizagem ativa mais relevante é a relacionada à nossa vida, aos nossos projetos e expectativas. Se o estudante percebe que o que aprende o ajuda a viver melhor, de uma forma direta ou indireta, ele se envolve mais. Um eixo importante da aprendizagem é a ênfase no projeto de vida de cada aprendiz, que deve descobrir que a vida pode ser percebida como um projeto de design, com itinerários flexíveis, que podem ampliar sua percepção, seu conhecimento e suas competências para escolhas mais libertadoras e realizadoras.
Entendendo que o ator principal do ensino-aprendizagem é o aluno, essas metodologias o trazem para o centro do processo, tirando-o do papel passivo para ser o responsável pela sua evolução no conhecimento, enquanto que o professor assume a responsabilidade de auxiliar essa evolução como um mentor, orientando e auxiliando nas dificuldades que o aluno encontrar. É nessa perspectiva que as metodologias ativas e o ensino na modalidade EaD estão interligados, intrinsecamente, por meio do oferecimento de estratégias que estabelecem maior flexibilidade de tempo e espaço aos estudantes, e que, adicionalmente, possibilitam que os docentes desenvolvam aulas em plataformas digitais, com a mesma qualidade dos encontros presenciais tradicionais.
4 Referências Bibliográficas
BERBEL, Neusi Aparecida Navas. As metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 32, n. 1, p. 25-40, jan./jun. 2011.
BEHRENS, M. A. Paradigma da complexidade na prática pedagógica dos professores universitários: inovações epistemológicas e tecnológicas para ensinar e para aprender. In: CAVALCANTE, Maria Marina Dias et al. Didática e prática de ensino: diálogos sobre a escola, a formação de professores e a sociedade. Fortaleza: Editora da UECE, p. 1-19. 2015.
DE SOUZA, N. R.; VERDINELLI, M. A. Aprendizagem ativa em administração: um estudo da aprendizagem baseada em problemas (pbl) na graduação. Revista Pretexto, v. 15, p. 19, 2014.
MAZUR, Eric. Peer Instruction: a revolução da aprendizagem ativa. Porto Alegre: Penso, 2015.
MAZUR, Eric. Peer Instruction: a user's manual. Boston: Addison-Wesley, 1997.
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STAKEr, Heather; HORN, Michael B. (2012). Classifying K–12 Blended Learning.Disponível em: http://files.eric.ed.gov/fulltext/ED535180.pdf>. Acesso em 31 de março de 2024.
SOARES, Ana Maria Jerônimo; ALVES, Rodrigo Leone; TARGINO, Elma Núbia de Medeiros Araújo. Da teoria à prática: a formação do administrador contemporâneo dinamizada por metodologias ativas. Revista Brasileira de Ensino Superior, Passo Fundo, v. 3, n. 4, p. 36-58, dez. 2017
SOARES, S. R. Pedagogia universitária: campo de prática, formação e pesquisa na contemporaneidade. In: Nascimento, AD., and Hetkowski, TM., orgs. Educação e contemporaneidade: pesquisas científicas e tecnológicas [online]. Salvador: EDUFBA, p. 93-108. 2009
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