MODERNIDADE LÍQUIDA DE ZYGMUNT BAUMAN E, GERAÇÕES DE VETERANOS, BABY BOOMERS, X, Y, Z E ALPHA
Autor: Antonio Veras Nunes - Yasmim Aparecida Sobrinho Nunes
A evolução das tecnologias digitais de informação e comunicação, principalmente nas três últimas décadas, tem afetado profundamente a sociedade em todas suas dimensões. A tradicional maneira de convivência de antes, sem as influências dos recursos tecnológicos, já não é mais a forma adequada de interação pelo menos para as novas gerações, ou para os nascidos nessa sociedade totalmente digital. O objetivo do artigo é analisar a duas grandes temáticas relativas ao assunto: Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman e, Gerações de Veteranos, Baby Boomers, X, Y, Z e Alpha. Teve como metodologia a revisão bibliográfica realizada a partir do referencial teórico abordado na disciplina Metodologia de Ensino e Avaliação e selecionado de acordo com as discussões sobre o contexto que hoje o ensino se dá sob o contexto da Modernidade Líquida. Cabe aos professores, principais responsáveis pelos processos educativos, desenvolver uma postura reflexiva frente a essas novas tendências formativas, de modo que seja possível a elaboração de questionamentos os quais evidenciem a lógica distorcida desse percurso formativo observada na experiência docente dos pesquisadores.
Palavras-chave: Modernidade Líquida. Gerações. Recursos Tecnológicos .
ABSTRACT
The evolution of digital information and communication technologies, especially in the last three decades, has profoundly affected society in all its dimensions. The traditional way of coexisting before, without the influences of technological resources, is no longer the appropriate form of interaction, at least for the new generations, or for those born in this totally digital society. The objective of the article is to analyze two major themes relating to the subject:
Liquid Modernity by Zygmunt Bauman and, Generations of Veterans, Baby Boomers, X, Y, Z and Alpha. The methodology was a bibliographic review carried out based on the theoretical framework covered in the Teaching Methodology and Assessment discipline and selected according to discussions about the context in which teaching takes place today under the context of Liquid Modernity. It is up to teachers, who are primarily responsible for educational processes, to develop a reflective stance in the face of these new training trends, so that it is possible to develop questions that highlight the distorted logic of this training path observed in the researchers' teaching experience.
Keywords: Liquid Modernity. Generations. Technological Resources.
1 Introdução
Nos dias atuais, o modo com que as pessoas interagem entre si, agora influenciadas pelos recursos tecnológicos disponíveis e, consequentemente com a informação totalmente disponibilizada e de fácil acesso, resultam em processos de significância de valores sociais e comportamentais na medida inclusive do eminente risco de choques conceituais entre diferentes gerações. A educação no século XXI está em constante transformação, os alunos não se transformaram apenas em relação ao avanço normal que acontece de uma época para outra, ou seja, alterações de estilos, roupas, entre outros estilos normais de mudança de uma época para outra. Pode-se dizer que com o avanço da tecnologia em relação às gerações anteriores houve uma alteração drástica na educação e na forma de ensinar, um acontecimento decorrente desta evolução tecnológica que pode ser chamada de singularidade, a rápida divulgação da tecnologia digital nas últimas décadas mudou a forma com que os alunos veem o ambiente educacional no qual estão inseridos.
O desafio, hoje, é a interpretação do mundo em que se vive, uma vez que as relações pessoais estão carregadas da presença da mídia. As formas com que se relacionam, estas na maior parte das vezes, mediadas pelas novas tecnologias, tendem a quebrar a barreira do tempo e espaço, apoiados em um pluralismo que fomenta a expansão de vínculos em sua rede social. A forma de ensinar e transmitir conhecimento mudou muito nos últimos anos por motivos diversos, desde a inovação tecnológica até as novas exigências do mercado de trabalho. Da mesma forma, percebe-se cada vez mais a necessidade de formar jovens com pensamento crítico e responsáveis coletivamente. Desse modo, cabe aos professores, principais responsáveis pelos processos educativos, desenvolver uma postura reflexiva frente a essas novas tendências formativas, de modo que seja possível a elaboração de questionamentos os quais evidenciem a lógica distorcida desse percurso formativo observada na experiência docente dos pesquisadores.
O objetivo do artigo é analisar a duas grandes temáticas relativas ao assunto: Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman e, Gerações de Veteranos, Baby Boomers, X, Y, Z e Alpha. Nesse sentido, o ponto de partida são as abordagens mais frequentes dos encontros de formação, que concentram-se, primordialmente, em atender os interesses do setor econômico em detrimento do homem como referência do processo educativo.
Teve como metodologia a revisão bibliográfica realizada a partir do referencial teórico abordado na disciplina Metodologia de Ensino e Avaliação e selecionado de acordo com as discussões sobre o contexto que hoje o ensino se dá sob o contexto da Modernidade Líquida, elaborada a partir da análise e interpretação do conteúdo realizada em artigos, livros, teses e dissertações e textos da internet, levando ao pesquisador buscar ideias relevantes ao estudo, com registro confiável de fontes.
2 A educação mediante a modernidade atual e a geração atual de estudantes
Conforme Bortolazzo (2012), o cálculo da idade de formação entre uma nova geração e outra era de aproximadamente 25 anos. Porém na atualidade, o avanço dos recursos tecnológicos, principalmente, e os efeitos que estes provocam sobre a vida social dos indivíduos, este intervalo de tempo foi encurtado, e se já fala em uma nova geração sendo formada a cada década. Esta concepção retrata um convívio maior entre indivíduos de diferentes gerações em diversos segmentos da sociedade.
Neste aspecto é natural que indivíduos de diferentes gerações se desenvolvam em épocas distintas e, desta forma, sejam influenciados por outras visões e outros comportamentos que eventualmente venham gerar conflitos entre os constituintes. Entendemos que compreender as principais mudanças comportamentais de uma geração para a outra é essencial para minimizar a tensão entre as mesmas.
A geração de indivíduos nascidos depois de 1945 e antes de 1960 são conhecidos como baby boomers. Este nome faz referência ao aumento exponencial das taxas de natalidade após o final da Segunda Guerra Mundial. Os jovens desta geração foram responsáveis diretos pela crescente onda de sentimentos que envolviam a liberdade e a rebeldia. A educação superior ficou acessível aos filhos da emergente classe média, ao qual era composta por um currículo que refletia o interesse pelo progressivo desenvolvimento econômico do país.
A geração X o é composta dos filhos dos Baby Boomers da Segunda Guerra Mundial. (Baby Boomer é uma definição genérica para crianças nascidas durante uma explosão populacional - explosão de bebês) Os integrantes desta geração, são os nascidos, entre os anos 1960 e 1980. Os Baby Boomers participaram da maior e mais impressionante onda de educação da história (HESSELBEN, GOLDSMITH, BECKHARD, 1997).
Conforme Oliveira (2010), nesta fase os jovens dessa geração não se identificavam com ataque provocação proposta pelos movimentos políticos revolucionários e adotavam uma postura mais omissa, evitando se envolver diretamente em qualquer tipo de manifestação social, mesmo as que propunham a liberdade sexual e a igualdade de direitos.
Na perceptiva Cherubin( 2012) a gerações como os "baby boommers", nascidos entre as décadas de 1940 e 1960, tinham com os adultos que dava força à voz do professor. "Antigamente, as únicas referências eram pai, tio, padrinho, padre. A geração da internet tem mil amigos no Facebook, 500 seguidores do Twitter. O professor é só uma referência entre outras muitas que eles têm".
A Geração Y são as pessoas nascida entre os anos 1980 e meados de 1990. A geração Y, geração do computador, das facilidades, da globalização e tudo mais. Os alunos dessa geração dão valor para o nível de atualização das informações. Para eles não bastam atualizar vídeos ou um simples acesso a internet como recurso para suporte pedagógico. É necessário para essa geração que as informações sejam atuais, acontecimentos recentes, pois, há uma relação com a informação que inclui muitas coisas e de forma mais abrangente, pois, querem resultados imediatos.
Geração Z entre 1990 e 2010, o “Z” vem de “zapear”, ou seja, trocar os canais da TV de maneira rápida e constante com um controle remoto, em busca de algo que seja interessante de ver ou ouvir ou, ainda, por hábito. “Zap”, do inglês, significa “fazer algo muito rapidamente” e também “energia” ou ”entusiasmo”.
Conforme Fava (2014), as habilidades, a intimidade e familiaridade com os recursos tecnológicos é muito natural para os jovens Z. Adeptos das redes sociais, os Z são pragmáticos, donos de uma personalidade flexível, com laços fracos e vulneráveis, prontos para se conectar em cada ocasião participando de diferentes interesses.
Segundo Santos (2020), ainda sem características precisas definidas, a não ser que nascerão em um mundo conectado em rede, a próxima geração, de nascidos a partir de 2010, já tem nome: Geração Alfa. Poderão ser filhos, tanto da geração Y, como da Geração Z. Afirma-se até que os alfa, em determinado momento de suas vidas, terão dispositivos incorporados dentro do corpo, “eles poderão tocar em sua orelha direita para ligar o seu telefone celular e sua orelha esquerda para desligálo".
Caberá a Geração Alfa a dinâmica do futuro, as barreiras do idioma serão facilmente superadas pelo maior conhecimento do inglês, acessos a países estrangeiros mais facilitados a comunicação crescendo dia-a-dia, “Avatar” substituindo professores em sala de aula, um mundo cada dia mais conectado.
Para Freire (2006), a educação nunca é neutra e sim um ato político. A pedagogia com foco na “conscientização” visa formação da autonomia no homem que se torna sujeito que pode intervir na realidade.Para que isso ocorra, em Freire, é necessário pôr se em prática a dialética do conhecimento, que em suma significa refletir sobre a prática e retornar a ela para transformála, ou seja, pensar a realidade e não pensar pensamentos.
Na percepção de Freire e Guimarães (2011), o fato de o professor durante seu processo de formação como indivíduo não ter contato com os mesmos recursos tecnológicos, estes oriundos da era da informação, quando posto em voga nas mediações dos processos de ensino e de aprendizagens junto aos seus alunos cria um embate de concepções sobre o alcance da informação e de mecanismos de interação humana, que contribui significativamente para a manutenção do modelo educacional. Percebemos, deste modo, a necessidade de uma educação preocupada com a instrução do cidadão nos mais diversos âmbitos, para que esse indivíduo, ainda em construção, possa desfrutar de seus direitos, reconhecer seus deveres e refletir eticamente diante das adversidades do mundo.
É notório, segundo Goergen (2019), o reconhecimento do indivíduo se realiza pela produção, lucro e consumo. Esse contexto socioeconômico se impõe também como referência para a educação, transformada em estratégia de capacitação das pessoas para atender às expectativas do sistema econômico.
Conforme Bauman (2021), compreender a passagem de modernidade clássica (modernidade sólida) para modernidade líquida é perceber que pisamos num solo preparado pelos que vieram antes, mas que esse não mais se faz tão firme como antes e se torna mais e mais movediço.
Segundo Carvalho (2011) a modernidade líquida no âmbito da formação de professores, já que seu fundamento é a produção, o consumo e o fomento às individualidades. As práticas formativas não se ocupam com questões coletivas, emancipatórias, éticas, mas sim em atender interesses secundários pertencentes, principalmente, à esfera econômica, logo assumir tal postura. Os novos processos educativos exigem, assim, que cada geração tome consciência de seu processo de desenvolvimento e do ponto em que chegou no contexto da evolução societária.
Para enfrentar os desafios apresentados pela geração digital, é essencial que os professores e as escolas desenvolvam estratégias adequadas. De acordo com Souza (2019), a formação continuada dos professores é fundamental. Os educadores devem buscar atualização constante, participar de cursos, workshops e seminários que abordem as novas abordagens pedagógicas e tecnológicas. Isso permite que eles estejam preparados para utilizar efetivamente as tecnologias digitais em sala de aula. As práticas pedagógicas buscam, mais do que nunca, a transferência do foco educacional do docente para o aprendizado e dos conteúdos para o processo ensino pedagógico, enfatizando os significados e as formações dos estudantes, priorizando conhecimentos individuais, suas habilidades, suas atitudes e os valores.
3 Considerações Finais
É na conjuntura da tecnologia educacional, da internet e de outras ferramentas/sistema tecnológicas, que surge o produto de uma reflexão sobre a postura do docente diante da realidade atual, como introduzir os meios e equipamentos tecnológicos no ambiente escolar e, posteriormente, vincular as técnicas de ensino para solucionar o distanciamento entre educação e ferramentas tecnológicas. Os educadores enfrentam a necessidade de se adaptar a um ambiente tecnológico em constante evolução, buscando atualização e formação contínua para atender às demandas dessa geração. No entanto, também surgem oportunidades emocionantes para transformar a educação, utilizando recursos digitais para promover uma aprendizagem mais dinâmica, personalizada e colaborativa.
Ao enfrentar os desafios e abraçar as oportunidades apresentadas por essa geração, a educação pode se tornar mais relevante, envolvente e preparar os alunos para serem cidadãos competentes em um mundo cada vez mais tecnológico.
4 Referências Bibliográficas
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