A IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Angela Romão Sobrinho Nunes
Antônio Veras Nunes
Edilene Maria da Silva Nascimento
Maria das Dores Romão Sobrinho dos Santos
RESUMO De acordo com a Base Nacional Comum Curricular, “[...] A interação durante o brincar caracteriza o cotidiano da infância, trazendo consigo muitas aprendizagens e potenciais para o desenvolvimento integral das crianças. Ao observar as interações e a brincadeira entre as crianças e delas com os adultos, é possível identificar, por exemplo, a expressão dos afetos, a mediação das frustrações, a resolução de conflitos e a regulação das emoções” (BRASIL, 2018, p. 33. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: A Educação é a Base. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2018). O modo como o professor aborda determinada temática, as estratégias que utiliza ao longo das aulas, a proposição de um jogo, seja ele tradicional ou virtual ou as relações estabelecidas com os campos de experiência e objetivos de aprendizagem, estão diretamente ligadas à ludicidade. A abordagem do trabalho tem A importância da ludicidade na Educação Infantil. Dentre essas técnicas temos o lúdico, um recurso didático dinâmico que garante resultados eficazes na educação, apesar de exigir extremo planejamento e cuidado na execução da atividade elaborada. No entanto o jogo é a atividade lúdica mais trabalhada pelos professores atualmente, pois ele estimula as várias inteligências, permitindo que o aluno se envolva em tudo que esteja realizando de forma significativa. A importância de reconhecer o lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo, integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. Realizando através da atividade lúdica e do jogo, a criança forma conceitos, seleciona ideias, estabelece relações lógicas, integra percepções, faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e, o que é mais importante, vai se socializando.
Palavras-chave: Ludicidade. Prática Pedagógica. Educação Infantil.
DESENVOLVIMENTO
Ao analisar os campos de experiência apresentados na BNCC (BRASIL, 2018), é possível identificar diferentes formas de explorar a ludicidade. Entre os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento do campo de experiência “O Eu, o outro e o nós”, por exemplo, identificamos o respeito a regras básicas de convívio social nas Educação: Teorias e Práticas na Era Digital 165 interações e brincadeiras, no campo de experiência “Corpo, gestos e movimentos”, observamos a experimentação de diferentes possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes, entre outros objetivos de aprendizagem que evidenciam esse viés com a ludicidade. A prática da ludicidade para ensinar os conteúdos do currículo escolar pode propiciar o sucesso da aprendizagem dos alunos. Os recursos lúdicos são capazes de contextualizar os conteúdos e assim o aluno passa a ver sentido naquilo que está aprendendo. Freire acredita que:
“A criança que brinca em liberdade, podendo decidir sobre o uso de seus recursos cognitivos para resolver os problemas que surgem no brinquedo, sem dúvida alguma chegará ao pensamento lógico de que necessita para aprender a ler, escrever e contar”. (Freire 1991)
A importância do brincar é uma atividade culturalmente definida e representa uma necessidade para o desenvolvimento infantil. Historicamente, o homem sempre brincou, por meio dos diversos povos e culturas e no decorrer da história, mas ao longo do tempo, as formas de brincar, os espaços e os tempos de brincar, os objetos foram se transformando. Segundo Santos (1995 ).
“A ludicidade está intrínseca no ser humano desde a pré- história. O ato de brincar é a mais pura forma da criança se expressar, é brincando que ela expressa o que está sentindo e também interioriza o mundo ao seu redor[...]’’.
Dessa forma entende-se que a escola tem o dever social de ampliar e favorecer esse aprendizado com os jogos infantis e atividades lúdicas no processo do desenvolvimento infantil, onde o jogo torna-se elemento estimulador e motivador das habilidades motoras, afetivas e cognitivas da criança, sendo também instrumento para o desenvolvimento integral da criança, pois segundo Vygotsky (1987)
“O brincar é uma atividade humana criadora, na qual imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ação pelas crianças, assim como de novas formas de construir relações sociais com outros sujeitos, crianças e adultos”.
A importância do educador compreender a atividade infantil para que possa vir a intervir como facilitador no desenvolvimento da criança, uma vez que a escola, na primeira infância, deve considerar as estruturas corporais e intelectuais de que dispõem as crianças, utilizando o jogo simbólico e as demais atividades motoras próprias da criança nesse período. O lúdico é um instrumento que permite a inserção da criança na cultura, por meio do qual podem permear suas vivências internas com a realidade externa. É um facilitador para a interação com o meio, embora seja muito pouco explorado. O brincar é uma atividade culturalmente definida e representa uma necessidade para o desenvolvimento infantil. Historicamente, o homem sempre brincou, por meio dos diversos povos e culturas e no decorrer da história, mas ao longo do tempo, as formas de brincar, os espaços e os tempos de brincar, os objetos foram se transformando. (ALMEIDA, 1990). Com o brincar, se faz o processo de humanização ética da criança, por isso, deve ser utilizado para o desenvolvimento das crianças, tanto em casa, como na escola, principalmente por isso deve haver parceria entre pais e escola. A criança não se desenvolverá, se um não tiver o auxílio do outro, se um jogar a responsabilidade para outro. Todos são responsáveis pela educação, pelo desenvolvimento da criança. Uma escola lúdica tem como finalidade desenvolver habilidades físicas e intelectuais, formar alunos críticos, criativos, conscientes e promover a interação social e, acima de tudo, despertar em seus alunos o gosto pela escola, pelo estudo, pela busca por novos conhecimentos, criando assim um elo muito forte entre o aluno e a escola. Uma escola lúdica é onde o aluno sente prazer em estudar, em aprender coisas novas nas diferentes áreas do conhecimento: matemática, português e ciências entre muitas outras. Para que isto ocorra o ambiente deve ser bastante acolhedor não só para os alunos, mas também para os professores, pais e familiares dos alunos. (ALMEIDA, 1990) Atividades lúdicas garantem uma aprendizagem significativa para a criança com dificuldades de aprendizagem, bem como o prazer, a socialização, o respeito, a individualidade. Pois, a criança estará aprendendo no seu ritmo, criando hipótese, chegando à conclusão e elaborando suas regras. Acertando e errando com seus próprios erros e retomando para acertar novamente. Assim, sua aprendizagem será significativa e levará consigo um aprendizado que nunca se esquecerá. Com isso, a criança será, também, um construtor do saber, privilegiando a criatividade, imaginação, por sua própria ligação com os fundamentos do prazer. Não comporta regras preestabelecidas, nem velhos caminhos trilhados, abre novos caminhos, vislumbrando outros possíveis. Conforme Santos diz que:
Considerar o ensino-aprendizagem escolar como algo que está Educação: Teorias e Práticas na Era Digital 167 necessariamente imbricado no processo interativo professor aluno supõe admiti-lo também como movimento contínuo e dinâmico. É importante ressaltar que não estamos partindo do pressuposto de que são dois processos se contrapondo, mas que o ensino-aprendizagem escolar é encarado, em última instância, como inerente a grande parte do processo interativo entre professor e aluno.( SANTOS 1995, p. 2).
O lúdico como fator facilitador da aprendizagem e o professor como mediador. Fala-se muito em ludicidade nos dias de hoje, mas ainda não há aquela preocupação por parte de alguns educadores pela utilização do lúdico que é um recurso metodológico capaz de propiciar a aprendizagem espontânea e natural. Estimula a crítica, a criatividade e a socialização da criança. Quanto mais se amplia à realidade externa da criança mais ela tem uma organização interna ágil e coerente. O educador precisa ser sensível às contingências em sala de aula e as criatividades que serão realizadas para que possam ser criadas condições de ensino e saber. O lúdico para ser utilizado como recurso didático-pedagógico é preciso que seja de certa forma, elaborado pelo professor. Cabe a este fazer aplicação dos jogos de modo correto e eficaz, buscando as melhores técnicas e para isso é necessário que o mesmo já tenha em mãos esse material e compreendido de que forma ele melhor possa trabalhar os conteúdos de matemática. Assim, o lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo, integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. Através da atividade lúdica e do jogo, a criança forma conceitos, seleciona ideias, estabelece relações lógicas, integra percepções, faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e, por meio dele vai se socializando com as demais crianças. Com isso, pode-se ressaltar que a educação lúdica esteve presente várias épocas, povos e contextos e forma hoje uma vasta rede de conhecimento no campo da Educação. De acordo com Vygotsky ,
É na interação com as atividades que envolvem simbologia e brinquedos que o educando aprende a agir numa esfera cognitiva. Na visão do autor a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real, tanto pela vivência de uma situação imaginária, quanto pela capacidade de subordinação às regras.( VYGOTSKY 1984, p. 27),
Como podemos ver a criança aprende matemática enquanto imagina uma situação-problema baseada na sua realidade e no seu cotidiano, desafiando assim, a sua inteligência em busca de soluções, e isso, pode se dar em outros conteúdos escolares. Sendo assim o lúdico é de grande importância para as crianças, pois sem distinção de idade ou classe social, estas atividades lúdicas devem constar no contexto político pedagógico da escola. O lúdico compreende os jogos as brincadeiras e os próprios brinquedos, tanto as brincadeiras de antigamente, bem como as atuais, pois são de cunho educativo e auxiliam na aprendizagem dos alunos, assim como no convívio social. É com a interação que as crianças vão desenvolvendo suas criatividades e liberdades. (VYGOTSKY 1984) O professor da Educação Infantil precisa está atento às crianças quando estão no seu momento de distração para que possa observar atenciosamente a evolução ou não de cada criança. Saber do que gostam e do que não gostam é indispensável para um bom diagnóstico do processo socioeducativo delas, possibilitando ao professor analisar cuidadosamente sua prática em sala de aula. A atividade lúdica é importante no desenvolvimento da criança, favorece a interação social, a formação da linguagem, facilita o processo de ensino aprendizagem. Perceber e utilizar o lúdico nos entremeios das atividades diárias, servindo como metodologia de aula, pode ser um grande aliado na luta contra o desinteresse e fracasso escolar. De acordo com Rodrigues:
[...] A atividade lúdica infantil fornece informações elementares a respeito da criança, compreendendo suas emoções, a forma como interage com seus colegas, seu desempenho físico-motor, seu estágio de desenvolvimento, seu nível linguístico, sua formação moral. (RODRIGUES, 2000, p. 46)
Sabendo da importância do lúdico para o desenvolvimento da criança, não se pode deixar de defender seu valor dentro do contexto escolar, uma vez que a escola acolhe crianças em fase de crescimento, ativas e dispostas a aprender. Portanto, as atividades lúdicas utilizadas em sala de aula são consideradas um meio pelo qual a criança desenvolve sua criatividade, seu espírito de liderança e a capacidade de atuar em grupo, sua capacidade de socialização, pois através dos jogos em grupo a crianças aprende a repartir, a ouvir e até mesmo a ter um espírito de liderança. Sabendo da importância do lúdico para o desenvolvimento da criança, não se pode deixar de defender seu valor dentro do contexto escolar, uma vez que a escola acolhe crianças em fase de crescimento, ativas e dispostas a aprender.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Paulo Nunes. Educação Lúdica: Técnica e Jogos Pedagógicos.SP: Loyola,1990 BRASIL, Ministério da Educação, Parâmetros Curriculares Nacionais; Matemática / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC, 1997. FERREIRA, Gláucia. Palavra de professor(a. São Paulo: Mercado das Letras 2003. FREIRE, P. Educação e Mudança. Rio de Janeiro, ed Paz e Terra, 1983. FREIRE, J.B. Educação de Corpo Inteiro: Teoria e Prática da Educação Física. São Paulo: Scipione, 1991. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários. À prática educativa. Coleção leitura. Editora Paz e Terra, 2001. SANTOS, Carmen Sevilha Gonçalves dos. Interação professor-aluno e aprendizagem de leitura e escrita numa primeira série do primeiro grau. Dissertação apresentada ao Mestrado de Psicologia Social da Universidade Federal da Paraíba, 1995. RODRIGUES, Rejane Pena. Brincalhão. Petrópolis: Vozes, 2000. VIGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984. ________ A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1987. WADSWORTH, Barry. Jean Piaget para o professor da pré-escola e 1º grau. São Paulo, Pioneira, 1984.