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EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS PRÁXIS PEDAGOGICA

ANNE GRACIELA FRANÇA CAMPOS

FABRÍCIA ARMANDO FAVARETTO           

VALDECI DOS ANJOS GONÇALVES

 

RESUMO

A intenção deste estudo é refletir sobre o papel dos educadores dos anos iniciais diante do tema Educação Ambiental e como vem sendo conduzido pedagógica e interdisciplinarmente em sala de aula, com o intuito de formar cidadãos conscientes e preocupados com o meio ambiente.  Este artigo objetiva analisar quão importante é a interação professor/aluno e a formação de pequenos ambientalistas ainda nos anos iniciais. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica, levando em consideração posicionamentos de autores como: DÍAZ, GUIMARÃES, RUSCHEINSKY, TASSONI, entre outros, no intuito de mostrar a necessidade da interação educador/educando para que ocorra o entusiasmo ambientalista paralelo ao processo de ensino. Concluiu- se que temas interdisciplinares de cunho ambiental formarão cidadãos mais preocupados com os impactos ambientais. 

Palavras-chave: Aluno. Professor. Ambientalista. Meio Ambiente.

 

Introdução

            O presente trabalho tem como tema educação ambiental nas práxis pedagógicas, onde faz um paralelo às relações interpessoais professor/aluno durante processo de ensino-aprendizagem e a influência desta relação na formação de cidadãos com consciência ambiental.

 Nessa perspectiva foi construída as questões que norteiam este trabalho:

Como está sendo trabalhado pelo professor a educação ambiental nas séries iniciais? Qual será a melhor forma de desenvolver essa consciência ambiental em sala de aula?

            Quando se fala em educação ambiental e a interação do professor e aluno, pressupõem-se os estímulos trocados entre esses sujeitos nas relações sociais da qual desencadeiam comportamentos, ora positivo, ora negativo. Fazendo-se então necessário essa investigação documental para compreendermos melhor como se dá esse processo de ensino aprendizagem pela visão de alguns autores e pesquisadores da educação ambiental.

           Quando se refere a interação professor/aluno, logo pensamos em quão amáveis e atenciosos eram os nossos professores, e essa visão amável transcende gerações, Tassoni afirma que:

Toda aprendizagem está impregnada de afetividade, já que ocorre a partir das interações sociais, num processo vincular. Pensando, especificamente, na aprendizagem escolar, a trama que se tece entre alunos, professores, conteúdo escolar, livros, escrita, etc. não acontece puramente no campo cognitivo. Existe uma base afetiva permeando essas relações. (TASSONI, s.d., p. 3)

Para alcançar os objetivos propostos, utilizou-se como recurso metodológico, a pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise de materiais já publicados e artigos científicos divulgados no meio eletrônico e obras de autores como: Díaz (2002), Guimarães (2004), Ruscheinsky et. al (2002, 2004), entre outros que contribuíram para fortificar nossa argumentativa.

 

Desenvolvimento

Muito se fala em educação ambiental, mas o que é ela, o que conceitua, quais assuntos ela aborda. Para entender melhor em toda sua dimensão Brasil (1999) afirma:

Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. (Brasil, s.p. 1999)

A educação escolar é um direito comum a todo e qualquer cidadão. É dentro do âmbito escolar que acontece a transformação de pessoas em cidadãos responsáveis e conscientes de seu lugar dentro da sociedade mediante sua interação social de forma articulada e adequada a cada faixa etária, podendo ser formal e não formal.

Para Doron (1998, p. 439), interação é conceituada como:

[...] processo interpessoal pelo qual indivíduos em contato modificam temporariamente seus comportamentos uns em relação aos outros, por uma estimulação recíproca contínua. A interação social é o modo comportamental fundamental em grupo.

Desse modo podemos afirmar que a transformação do indivíduo ocorre permanentemente por toda sua vida e de acordo com o estímulo e interação sofridos pelos indivíduos dos grupos que o cerca. Para as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (2012), educação ambiental vem conceituada da seguinte forma nos artigos 2º e 3º:

Art. 2º. A Educação Ambiental é uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental.

Art. 3º. A Educação Ambiental visa à construção de conhecimentos, ao desenvolvimento de habilidades, atitudes e valores sociais, ao cuidado com a comunidade de vida, a justiça e a equidade socioambiental, e a proteção do meio ambiente natural e construído.

Desta forma já podemos perceber a importância da interação professor/aluno e a relevância da aplicação do tema ambiental desde os anos iniciais, promovendo a interação e socialização desses grupos de indivíduos em princípio de transformação, utilizando-se da reflexão e sensibilização ecológica, afinal, como rege a resolução nacional, cabe a instrução de preservação ambiental, tanto do ambiente natural, quanto o ambiente artificial.

Ruscheinsky et. al (2004, p.57) nos traz a importância da pedagogia e da Ecologia com a seguinte afirmação: “A Ecopedagogia visa proporcionar as condições e as mediações para uma nova leitura da realidade, consolidando uma consciência de nossa dependência ecológica ampla, profunda e difusa.” Cabendo então o papel de difusor dessa nova leitura ecológica e ambiental ao professor, que é o mediador desse processo de ensino aprendizagem.

Ruscheinsky et. al (2004, p.58) afirma:

De algum modo a emergência e a articulação das ideias que fundamentam a Ecopedagogia como mediação significa alguma dose de insatisfação com outros paradigmas pedagógicos vigentes. Verificando um débito com o passado e com o presente, vem a ser a reposição da pedagogia da práxis, uma vez que abarca a tensão entre o local e o global, entre inserção cidadã e consumo, entre teoria e prática social, enfim pretende espraiar-se a todas as dimensões da vida social.  

Sendo a educação uma das fontes de maior agregação de valores aos indivíduos, uma vez que ela proporciona a interação desses valores e também como já dito por Ruscheinsky et. al (2004) a educação ambiental vem sendo trabalhada como forma de insatisfação à paradigmas pedagógicos, recompensando débitos adquiridos no passado e no presente, com o enfatizar do consumo, pois muito se fala em tecnologias, inovações tecnológicas e as mídias incentivam o  consumo excessivo de diversos itens que consequentemente causam degradação ao meio ambiente ao serem produzidos. E com o consumo exacerbado, com os descartes a curto prazo, também demandam prejuízos e destruição ambiental. Para Guimarães (2004, p.123)

A educação ambiental é uma prática pedagógica que não se realiza sozinha, mas nas relações do ambiente escolar, na interação entre diferentes atores, conduzida por um sujeito: os professores. No entanto, esses professores que estão nas salas de aula ou em formação nas universidades estão se sentindo compelido, por toda uma demanda social e institucional a inserir a dimensão ambiental em suas práticas pedagógicas. (Guimarães 2004, p.123)

Os professores como atores dessa formação de indivíduos reflexivos à crise ambiental da qual estamos imersos, cabe a responsabilidade de dinamizar suas práticas pedagógicas e conhecimentos em conjunto de ideias, interligando-as de maneira hierárquica evolutiva, para que possam compreender e sensibilizar estes indivíduos de quão é necessário esse despertar ambiental. Sobre educação ambiental Díaz (2002) ressalta, “a finalidade da educação ambiental é, de fato, levar à descoberta de uma certa ética, fortalecida por um sistema de valores, atitudes, comportamento”. De forma simples e clara, que possa fazer sentido aos alunos e os faça perceber que estão inseridos nesse meio e que devem contribuir com atitudes menos agressivas ao meio ambiente. Sobre essa preocupação ambiental Díaz (2002) ainda acrescenta:

Nesse sentido, os educadores podem começar por suas próprias atitudes pessoais, oferecendo aos alunos e alunas um modelo que possam imitar. Em segundo lugar, o esclarecimento de valores será um instrumento fundamental para o auto - conhecimento dos próprios valores dos alunos e alunas. (Díaz 2002, p.38)

Os professores muitas vezes são os primeiros ídolos reconhecidos pelos alunos e quando a escola junto aos seus professores deseja mobilizar a comunidade escolar, consegue por meio de seus exemplos e projetos arrastar muitos indivíduos, atingindo todas as idades, promovendo um maior alcance da informação e um maior apelo às questões ambientais. As instituições de ensino por sua vez, devem subsidiar junto aos professores e respaldando-os para que consigam realizar todas as ações educativas e preventivas previstas para o ano letivo junto à comunidade escolar. A Ecopedagogia aplicada nas escolas tem por finalidade resgatar uma consciência ecológica e ética sobre o meio ambiente, trazendo para sala de aula junto as disciplinas afins, comandos de execução corretos. Visando não somente evidenciar a importância da despoluição e preservação, mas também a implantação de uma reflexão minimizadora do consumo desenfreado do qual nos encontramos, sendo o ponto de partida a mudança de cultura. Essa nova cultura, segundo Ruscheinsky et. al (2002) compreenderá que a rua, a lagoa, a praia e as valetas são extensões de nossa própria casa. Cabendo a cada indivíduo compreender que o saneamento básico deverá acontecer inclusive no comportamento, na mente e no imaginário para que se possa mudar os referenciais culturais de poluição.

 

Conclusão

Diante do exposto, concluiu-se que a interação existente entre professor e aluno, é de extrema importância para garantir o sucesso do processo de ensino aprendizagem.

Se não houver uma interação, amável, ética e reflexiva entre esses dois sujeitos, não haverá uma aprendizagem significativa. Pois é no processo educacional que se deseja que sejam trabalhados princípios éticos, valores, atitudes, comportamentos e questões como tolerância, a solidariedade ou responsabilidade.

Ao desenvolver esses valores o professor desenvolverá também a consciência ecológica, o olhar caridoso ao meio ambiente, proporcionando a reflexão de ação, pela constatação de se fazer parte, presente do meio. Otimizando a conscientização ambiental, ao mesmo tempo que avança nos resultados educacionais.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Lei nº9.795 de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cf

m?codlegi=321. Acesso em 31 de nov. de 2019.

DÍAZ, Alberto Pardo. Educação ambiental como projeto. Tradução Fátima Murad. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

DORON, Roland. Dicionário de psicologia. São Paulo: Ática, 1998.

GUIMARÃES, Mauro. A formação de educadores ambientais. Campinas- São Paulo: Papirus, 2004.

RUSCHEINSKY, Aloísio. Atores Sociais e Meio Ambiente. In: LAYRARGUES.P.P. et al (Orgs). Identidades da Educação Ambiental Brasileira. Ministério do Meio Ambiente. Diretoria em Educação Ambiental. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. 156p.

RUSCHEINSKY, Aloísio. et al. Educação Ambiental: Abordagens Múltiplas. – Porto Alegre: Artmed, 2002. 183p.;

TASSONI, Elvira Cristina Martins. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. Disponível em: http://23reuniao.anped.org.br/textos/2019t.PDF. Acesso em 31 de out. de 2019.