Rua Wilson de Almeida-Nº 259-S / Bairro Ouro Verde, Nova Olímpia, Cep:78.370-000
Fone:(65) 3332-1130 Atendimento: 07:00 às 11:00hrs e das 13:00 às 17h00 hrs

Crianças com hiperatividade e distúrbio do déficit de atenção necessitam de educação diferenciada.

Crianças com hiperatividade e distúrbio do déficit de atenção necessitam de educação diferenciada.

Antonio Veras Nunes[1]

Angela Romão Sobrinho[2]

Rosimeire da Silva[3]

 

 

RESUMO

Este artigo tem o objetivo de apresentar alguns transtornos relacionados ao déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), como essas questões refletem em sala, além disso, um dos pressupostos desse trabalho é destacar como esses problemas podem ser sanados ou amenizados, para trabalhar com crianças com o TDAH é necessário compreender o comportamento de cada caso com suas especificidades, um dos grandes problemas a respeito desse assunto é o acesso a informações corretas, há poucas informações, prevalecendo os mitos do TDAH. O grande desafio é a criação de programas direcionados a este problema, pois a escola sofre apenas os reflexos que afetam os mais diversos meios sociais. Para base teórica utilizar-se-á BRANDÃO (1981), FERREIRO (2001), GOLDSTEIN entre outros.

 Palavras-chave: educação, crianças, déficit de atenção/hiperatividade.

ABSTRACT
This article aims to present some disorders related to attention deficit / hyperactivity disorder (ADHD), as these issues reflect in the classroom, in addition, one of the assumptions of this paper is to show how these problems can be resolved or mitigated, to work with children with ADHD is necessary to understand the behavior of each case with its specific features, one major problem regarding this issue is access to accurate information, there is little information, prevailing myths of ADHD. The big challenge is to create programs aimed at this problem, because the school suffers only the reflexes that affect the most diverse social backgrounds. Theoretical basis for using it will BRANDÃO (1981), SMITH (2001), Goldstein and others.
Keywords: education, children, attention deficit / hyperactivity

 APRESENTAÇÃO

                O transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por uma constelação de problemas relacionados com a falta de atenção, hiperatividade e impulsividade. Esses problemas resultam de um desenvolvimento não adequado e causam dificuldades na vida diária. O TDAH é um distúrbio bio-profissional, isto é, parece haver fortes fatores genéticos, biológicos, sociais e vivenciais que contribuem para intensidade dos problemas experimentados. Foi comprovado que o TDAH atinge 3% a 5% da população durante toda vida. Diagnóstico precoce e tratamento adequado podem reduzir drasticamente os conflitos familiares, escolares, comportamentais e psicológicos vividos por essas pessoas. 

Ao tentar compreender crianças com dificuldades em prestar atenção, controlar as emoções, manterem-se quietas em suas atividades diárias e encontrar formas para ajudá-las a serem bem-sucedidas. Constatamos que os problemas apresentados por esse distúrbio não podem ser curados, mas controlados e o controle eficaz se dá através da compreensão de tais problemas.     Para ajudar um portador de TDAH, é necessário fazer uma sondagem para compreender o comportamento dessa criança, o primeiro passo é procurar ver o mundo com os olhos dessa criança, para saber distinguir entre comportamento que resulta da falta de capacidade e comportamento que resulta de desobediência deliberada.

            Apesar dos grandes transtornos gerados por esses problemas, o acesso a informações corretas sobre o assunto ainda é pequeno, pois na maioria das vezes os mitos da TDAH é que prevalece, a desinformação vai desde as distorções grosseiras até as representações equivocadas.

As pessoas com TDAH até podem saber o que deve ser feito, mas não conseguem fazer aquilo que sabem devido a inabilidade de realmente poder parar e pensar antes de reagir, não importando o ambiente ou a tarefa. As características do TDAH aparecem bem cedo para a maioria das pessoas, logo na primeira infância. O distúrbio é caracterizado por comportamentos crônicos, com duração de no mínimo 06 meses, que se instalam definitivamente antes dos 07anos.                                                                                                                                    Atualmente foram identificados 04 subtipos de TDAH e foram classificados:

  • TDAH – Tipo Desatento
  • TDAH – Tipo Hiperativo/Impulsivo
  • TDAH – Tipo combinada
  • TDAH – Tipo não especifico

O TDAH do tipo predominante desatento, tem com principais sintomas a falta de atenção sustentada, distrabilidade. Com relação a aprendizagem as pessoas são geralmente crianças dóceis, fáceis de se lidar, porém com dificuldade de aprendizagem desde o início de sua vida escolar, pois sua falta de atenção sustentada não deixa que ela mostre seu potencial.

O segundo tipo deTDAH  é do tipo Hiperativo/Impulsivo, e geralmente não apresentam dificuldade a nível de aprendizagem nos primeiros anos de vida escolar, podendo aparecer problemas de aprendizagem, com evolução do grau de dificuldade geralmente por volta da 5ª série ou mesmo, posteriormente. Desenvolvem um padrão de comportamento disfuncional tumultuando as aulas, são resistentes à frustração, imediatista e com dificuldade de seguir regras e instruções, por isso apresentam altas taxas de impopularidade e de rejeição pelos colegas.  

OTDAH do tipo combinado tem como sintomas a falta de atenção sustentada, hiperatividade e impulsividade. Apresenta maior prejuízo no funcionamento global. Quando comparado aos outros 2 tipos é o que apresenta também maior número de comorbidades.

O último caso Tipo inespecífico ocorre quando não apresentam o número de sintomas suficientes para serem classificados em nenhum dos tipos acima, porém alguns dos sintomas estão presentes e prejudicando seu desempenho escolar, familiar e profissional, o critério passa a ser então mais dimensional do que quantitativo.

 

CAUSAS

Quando se pensa em TDAH, a responsabilidade sobre a causa recai sobre toxinas, problemas no desenvolvimento, alimentação, ferimentos ou malformação, problemas familiares e hereditariedade. Já foi sugerido que essa possíveis causas afetam o funcionamento do cérebro. Pesquisas mostram diferenças significativas na estrutura e funcionamento do cérebro de pessoas com TDAH, particularmente nas áreas do hemisfério direito do cérebro, no córtex pré-frontal, gânglios da base, corpo caloso e cerebelo. Esses estudos estruturais e metabólicos, somados a estudos genéticos e sobre a família, bem como a pesquisa sobre a reação das drogas, demonstram claramente que o TDAH é um transtorno neurobiológico. Apesar das intensidades dos problemas experimentados pelos portadores do TDAH variar de acordo com suas experiências de vida, está claro que a genética é o fator básico na determinação do aparecimento dos sintomas do TDAH.

 

DIAGNÓSTICOS

            O diagnóstico do TDAH é um processo de múltiplas facetas. Diversos problemas biológicos e psicológicos podem contribuir para a manifestação de sintomas similares apresentados por pessoas com TDAH, o mais comum é a falta de atenção, sendo uma das 09 características do processo de depressão. Além da impulsividade que é uma descrição típica de delinquência.

            O diagnóstico de TDAH pede uma avaliação ampla, não se podemos desconsiderar e avaliar outras causas para o problema, desse modo é necessário estar atento a presença de distúrbios concomitante. O aspecto mais importante do processo de diagnóstico é o histórico clinico. A avaliação do TDAH inclui frequentemente um levantamento do funcionamento intelectual, social e emocional para tentar esclarecer as possíveis causas de sintomas semelhantes aos do TDAH, tais como as reações adversas à medicação, problemas de tireóide, etc. o processo de diagnóstico deve incluir dados recolhidos com professores e outros adultos que de alguma maneira, interagem diariamente com a pessoa avaliada.

 

TRATAMENTO

            O tratamento da criança com TDAH exige um esforço coordenado entre os profissionais das áreas médicas, saúde mental e pedagógica, em conjunto com os pais. Esta combinação de tratamentos oferecidos por diversas fontes é denominada de intervenção multidisciplinar. Um tratamento com esse tipo de abordagem inclui:

  • Treinamento dos pais, quanto a verdadeira natureza do TDAH e um desenvolvimento de estratégia de controle efetivo do comportamento;
  • Um programa pedagógico adequado;
  • Aconselhamento individual e familiar, quando necessário, para evitar o aumento de conflitos na família;
  • Uso de medicação quando necessário.

O controle do comportamento é uma intervenção importante para crianças com TDAH. O uso eficiente do reforço positivo combinados com punições num modelo denominado "custo de respostas" tem sido uma maneira particularmente bem sucedidas de lidar com crianças TDAH.

 

 

ESCOLA

            A estrutura supõe regras claras. Um programa previsível e carteiras separadas. Deve-se criar um programa de reforço baseado em ganhos e perdas, sendo parte integral do trabalho de classe. A avaliação do professor deve ser frequente e imediata. Interrupções e pequenos incidentes tem menores consequências se ignorados. O material didático também deve ser adequado à habilidade da criança.

 

PROGNÓSTICOS

            Crianças com TDAH estão sujeitas ao fracasso escolar, as dificuldades emocionais. No entanto, a identificação problema seguida de tratamento adequado, tem demonstrado que essas crianças podem vencer os obstáculos. A doutora Stela Chess e o doutor Alexander Thomas afirmam que as qualidades não são boas nem más, simplesmente existem, afetam o modo como seu filho reage e você, em última instancia, como cada pai reage com seu filho, podemos inferir então, a questão do círculo ação/reação.

 

 CRIANÇAS COM TDAH DEVEM ESTUDAR EM CLASSES ESPECIAIS?

            Mediante a todos os dados ora apresentados esse é um questionamento comum do educador e de muitos pais, o doutor Goldstein afirma que uma criança com TDAH não deve estudar em escolas especiais, elas devem estar em ambientes considerados normais.

            Para aquelas crianças que possuem uma incapacidade especifica de aprendizado (de 10 a 30%) devem receber alguma forma de educação especial. Para os que apresentam um comportamento com (cerca de 30%) é considerado um comportamento perturbador, nesse caso pode-se exigir um trabalho com o psicólogo da escola, em um grupo ou individual, é preciso que essas crianças sejam colocadas numa sala de educação especial durante parte do seu dia, para que completem seu trabalho e não atrapalhe as outras crianças.

 

FAMILIA x COMUNIDADE

            O impacto significativo e as vezes inesperado que a criança hiperativa tem sobre os membros da família e sobre a comunidade nunca é subestimado, como observou o psicólogo Dr. John Taylor, ao observar que as crianças hiperativas podem provocar a falência emocional de uma família. Por causa da incapacidade da criança de se ajustar as expectativas dos pais, irmãos e comunidades, relativas a um comportamento adequado entrando em constante s conflitos familiares. 

Segundo suas pesquisas o Dr. Russell Barkley, as famílias que possuem crianças com TDAH vivenciam mais situações de divórcio e mais mudanças geográficas.

TDAH NA ADOLESCÊNCIA

Uma das maiores preocupações dos pais acerca do futuro deriva das estatísticas que sugerem uma enorme porcentagem de crianças hiperativas evolui para problemas de delinquência durante os anos de adolescência. Existe uma elevada probabilidade de que os adolescentes com TDAH não sigam adequadamente as normas e os limites sociais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Infelizmente ao desenvolver essa pesquisa e contextualizá-la com a realidade, pode-se afirmar que milhares de crianças em idade escolar no mundo inteiro lutam com problemas de falta atenção, impulsividade e hiperatividade.

            Precisamos estar alertas a esses fatos, pois como afirmamos se percebermos as anomalias precocemente podemos trabalhar e ter êxitos no tratamento, para isso esse problema precisa ganhar uma maior dimensão, nas escolas e nas pesquisas.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

           

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. Ed. Brasiliense S. A. São Paulo, 1981.

GOLDSTEIN, Sam. Hiperatividade: como desenvolver a capacidade de atenção da criança. Tradução: Maria Celeste Marcondes. Ed. Papirus. Campinas-São Paulo, 1994.

ROHDE, Luiz e BENCZIK, Edyleine. Transtorno do Déficit de atenção hiperatividade. O que é? Como ajudar? Artes Médicas, 1998.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientifico. Ed. Cortex. São Paulo, 1996.

VALLET, Robert E. Tratamento de distúrbio da aprendizagem. Ed. EPU-Universidade de São Paulo,

 



[1] Licenciado em Pedagogia e História, graduando em Letras Português/Espanhol pela UAB/UFMT, 6º semestre. Antonioveras015@hotmail.com.

[2] Licenciada em Pedagogia, graduanda em Letras Português/Espanhol, 6º semestre.

[3] Licenciada em Pedagogia e Especialista em Educação Especial.