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A importância da escola na formação do leitor

                                                                                              Ângela Romão Sobrinho Nunes.
                                                                                              Antonio Veras Nunes.

  

O presente artigo tem como objetivo enfatizar a importância da escola na formação do leitor.

PALAVRAS CHAVE: LEITURA – ESCOLA – EDUCANDOS – LINGUISTICA.

É importante ressaltar que o aluno somente terá habilidade de leitura se tiver, primeiramente, o hábito de ler, pois a falta do hábito de leitura provoca problemas sérios na sua expressão oral e escrita. Segundo Orlandi (1996, p. 11), “quando se lê, considera-se não apenas o que está dito, mas também o que está implícito: aquilo que não está dito e que também está significando”. Então, a leitura deve ser entendida como um processo de interação entre texto e leitor, configurando-se em leitura e interpretação, pois não basta apenas decodificar os signos, mas compreender o que está explícito ou implícito.

Observamos que o leitor é um sujeito ativo no processo de leitura do texto que lhe proporciona conhecimentos que constroem sentido. Ângela Kleiman afirma;

 [...] A compreensão de um texto escrito envolve a compreensão de frases e sentenças de argumentos, de provas formais e informais, isto é, abrange muitas das possíveis dimensões do ato de compreender, se pensamos que a compreensão verbal inclui desde a compreensão de uma charada até uma compreensão de uma obra de arte. (2000, p. 10).

 

Notamos que a leitura e a escrita caminham de mãos dadas no desenvolvimento da aprendizagem do leitor, principalmente, no Ensino Fundamental. É interessante ressaltar que a escola tem uma enorme responsabilidade com a formação intelectual dos alunos, pois, permite ao leitor uma liberdade de pensamento e expressão, faz com que o aluno exercite a sua capacidade mental e acrescente a habilidade cognitiva. E para isso é necessário que o professor incentive os alunos para o aprendizado da leitura, e leve para a sala de aula leituras interessantes, que possam despertar nos alunos o gosto pelos livros. De acordo com Silva:

 

[...] a escola e os professores devem colocar à disposição das classes uma variedade de materiais escritos, de modo que o educando possa preencher os seus interesses (e desenvolver outros) e satisfazer as suas necessidades, de acordo com suas capacidades de leitura. (1998, p. 86).

 Só assim, os alunos terão acesso à realidade e à compreensão de leitura, pois as variedades de materiais escritos contribuem para a formação e necessidade dos educandos.

A leitura faz enxergar um mundo de forma mais organizada. Isto é, o ato de ler implica uma reflexão sobre a prática, é de fundamental importância para o conhecimento dos objetos da realidade. “[...] ler, como um ato de estudar, não é um simples passatempo, mas uma tarefa séria, em que os leitores procuram clarificar as dimensões opacas de seu estudo” (FREIRE, 1982, p.87). O autor ressalva que o ato de estudar, é um ato curioso do leitor diante do mundo, ou seja, é expressão da forma dos seres humanos como seres sociais, transformadores e históricos. 

Assim, a prática de leitura e de interpretação de texto são exercícios que contribuem para o desenvolvimento das competências fundamentais, para a formação de educandos como leitores e escritores criativos. O educador tem como desafio desenvolver em seus educandos as competências e habilidades em relação à leitura e à escrita textual, e fazer com que os mesmos usem essas competências e consigam ter uma leitura ampla e crítica, diante da sociedade e suas transformações. É importante ressaltar que uma das principais competências a serem trabalhadas com alunos é a leitura, e que não basta apenas identificar palavras, mas compreendê-las e interpretá-las de forma a terem sentido para o leitor. A leitura envolve um processo argumentativo, no qual o autor esclarece a sua opinião num determinado assunto e age totalmente sobre a visão de mundo do leitor.

Já quando se fala em escrita, podemos observar que a leitura é um referencial importante para que o educando se desenvolva, aprenda a interpretar e a produzir textos, pois uma não existe sem a outra. Segundo Battaglia (2002, p.2), “a leitura precisa ser vista de forma mais ampliada e não só como a leitura de um texto escrito. Sua linguagem precisa ser estimulada em toda a sua amplitude, formando um leitor participante que pode ler escrever, trazer a sua voz”. A leitura deve fazer parte da vida das pessoas e precisa ser ampliada e estimulada, pois, entendemos que a escola não é a única responsável pela formação de leitores, mas a família também tem um papel especial nesse processo. A família deve incentivar a leitura em casa, valorizando e inserindo a criança no mundo da leitura. Cabe ressaltar que a leitura não está apenas na escola, está no mundo. É importante que os educadores e os pais incentivem seus educandos a serem leitores proficientes, capazes de compreenderem o que lê, contribuindo, assim, para se tornarem cidadãos com visão mais ampla da realidade e, assim ajudar a melhorar o mundo em que estão “inseridos”. Mas como sabemos nossa sociedade não tem o hábito de ler, e por isso é papel do professor incentivar a leitura na escola, isto é, instigar os alunos a gostar de leitura, pois o educador, depois dos pais, ou na impossibilidade destes, tem o papel principal e mais importante no desenvolvimento de hábitos e habilidades de leitura dos alunos. O professor deve levar em consideração as diversidades dentro da sala de aula e valorizar os gostos e opiniões formadas pelos alunos. 

De acordo com Evanildo Bechara (2001, p. 45), “quase sempre a escola enfatiza as suas preocupações com o ensinar a ler e a escrever, como se tratasse de ensinar dois códigos que constituem uma alternativa que substitui a realidade linguística quotidiana (...)”. Nesse caso, cabe ressaltar que o ensino linguístico na escola deverá partir da atividade oral, pois esta constitui a base para a aquisição ideal de quase todas as competências linguísticas. Sobre a atividade oral, Luft (1997, p. 39) afirma que “[...] a gramática natural é uma gramática da fala. Um sistema de regras para a comunicação oral [...]”. O autor deixa claro que a escola deve cuidar primariamente da fala dos alunos, único meio de comunicação que grande parte deles terá pela vida toda. Uma adequada terapia da fala e do pensamento nela expresso, quem sabe encaminharia para uma natural terapia da escrita. Luft expressa a ideia de que a gramática e a comunicação são diferentes, pois, a gramática natural é de natureza do ser humano e de qualquer língua.

Segundo Smith (1999, p. 124), “a leitura e a escrita não podem mais ser abandonadas separadamente no ensino [...], as crianças aprendem sobre leitura e escrita aprendendo os usos da linguagem escrita”. O autor afirma que tudo o que uma criança aprende com a leitura, ajuda-a a tornar-se um escritor, e, tudo o que é aprendido com a escrita contribui para a habilidade de leitura. É importante ressaltar que, através da produção textual, o educador encontra maneiras de conhecer mais o seu educando e pode fazer com que o mesmo se envolva no mundo da leitura. Por isso, ler diretamente para encontrar o significado, então, torna-se a melhor estratégia para a leitura, não como uma consequência da leitura de palavras e letras, mas como uma alternativa para a identificação das palavras e letras individuais.

Portanto, a escola deve estimular sempre os seus alunos a ler, para isso se faz necessário construir o cantinho da leitura, bem como salas de leitura. Isso já está acontecendo em nossas escolas municipais de Nova Olímpia.

 

 

REFERÊNCIAS

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